Vivendo em Guiyang – Transporte

Eu passei a semana inteira procurando dados para fazer um texto especial e embasado sobre como é morar aqui, mas refletindo sobre como eu sempre pulo os parágrafos com muitos números eu acredito que vamos todos ter uma experiências melhor (eu escrevendo e você lendo) se eu compartilhar alguns links ao final desse texto caso haja interesse em saber um pouco mais.

Algumas informações importantes. 1. Cada província tem uma certa independência para determinadas políticas públicas. 2. Eu moro em Guizhou, que há pouco tempo era a província mais pobre da China, e mesmo com todo o investimento feito nos últimos anos ainda tem muito o que ser feito. 3. Capital é diferente do interior, a estrutura que eu tenho aqui é muito diferente das cidades menores 4. Eu amo bicicletas. 

Deixando qualquer questão política de lado, eu gostaria de apresentar como eu vejo o sistema de transporte em uma cidade com pouco menos de cinco milhões de habitantes, e considerada por muitos chineses como uma capital subdesenvolvida. Em 2016, quando eu mudei para Guiyang, faixas de pedestre eram meramente ilustrativas, as linhas de metrô estavam em atraso e ninguém sabia dizer quando teriamos uma linha sequer, os táxis tinham uma corrida inicial a 8,00 RMB (por volta de R$4,00 na época – com a valorização do dólar no último ano a moeda Chinesa se fortaleceu em relação ao real), os passageiros eram disputados (eu já vi brigas entre motoristas) por carros clandestinos e mototaxistas e, por fim, a passagem de ônibus custava 2,00 RMB (por volta de R$ 1,00) e como no Brasil, dependendo do destino e horário não havia condições de subir ou descer. Eu, particularmente, nunca tive problemas, mas usei muito pouco no primeiro ano.

Um ano depois, 2017, as primeiras bicicletas para aluguel começaram a aparecer pela cidade. Por aqui, havia pelo menos 3 companhias, era preciso fazer um cadastro, pagar 200 RMB, como depósito, escanear o código da bicicleta, ligar o bluetooth do celular e pronto, você estava pronto para explorar a cidade. Mas o que parecia solução virou pesadelo, algumas pessoas passaram a esconder as bicicletas, outras conseguiram quebrar o sistema de trava da roda traseira e usavam a bicicleta sem pagar, a manutenção era escassa, as bicicletas eram pesadas para uma cidade com muitas subidas e sem nenhuma área apropriada para bicicletas, pelo menos não no centro, e, por fim, toda semana era possível ver trabalhadores removendo bicicletas do rio que corta a cidade. Não demorou muito para eu desistir de tentar encontrá-las e comprar a minha própria.

Resultado, as bicicletas foram desaparecendo, não só em Guiyang, mas em outras regiões também, muitas empresas faliram, e quando a OFO (uma das maiores empresas) decretou falência, nunca mais se viu bicicletas para alugar em Guiyang e eu nunca recuperei o dinheiro do depósito. Algumas cidades como Kunming, Shanghai e Chengdu ainda tinham bicicletas, mas essas cidades também eram mais apropriadas para bicicletas e havia faixas destinadas a bicicletas e scooters.

Engana-se quem pensa que isso significa que locomover-se em Guiyang era complicado, a cidade era muito similar a qualquer cidade com o mesmo número de habitantes no Brasil, a principal diferença era a quantidade de buracos e táxis. O uso dos verbos no passado se deve ao fato de que hoje 2021, a cidade tem duas linhas de metrô em funcionamento e a terceira está em construção, táxis agora custam 10 RMB (R$8,07) e hoje eles disputam espaço com DIDIs (Uber chinês), as passagens de ônibus ainda custa 2,00 RMB, e após uma extensa campanha, no centro da cidade, faixas de pedestre são respeitadas por carros e pedestres.

Então, ELAS voltaram

Eu não vou lembrar quando foi a primeira vez que eu vi bicicletas elétricas para alugar, mas eu lembro da minha empolgação para testá-las. Primeiro, elas foram colocadas em uma região mais nova da cidade e, portanto, com espaço adequado para bicicletas. 

As bicicletas só podem ser alugadas por pessoas maiores de 16 anos, mas ninguém se surpreende ao ver alguém mais novo conduzindo uma bicicleta elétrica, até porque as bicicletas são alugadas por aplicativos e uma vez você entra os dados no seu celular não é preciso inseri-los novamente, ou seja, um adulto, que não pretende alugar uma bicicleta, cede as informações pessoais para o cadastro, um menor pode fazê-lo quantas vezes quiser. Para estrangeiros o problema consiste no fato de muitos aplicativos não terem a opção de cadastro para passaportes, considerando a população estrangeira e a porcentagem desses que teriam interesse em alugar as bicicletas eu compreendo a falta de interesse em tornar acessível para estrangeiros, ainda assim seria excelente ter mais do que duas opções considerando a quantidade de empresas atualmente

Hoje, as empresas aprenderam com os problemas do passado e as bicicletas possuem um sistema de controle por GPS, elas têm permissão para algumas áreas da cidade e caso você tente andar em alguma região inapropriada, a bicicleta emite um alerta e alguns minutos depois para de funcionar (por conta da bateria a bicicleta fica muito pesado para pedalar mais do que alguns metros), o mesmo para quando você chega ao seu destino, existem vagas demarcadas nas calçadas onde bicicletas e scooters podem ficar e nem todas as vagas são para a bicicleta que você alugou, é preciso conferir se você está no lugar apropriado, caso contrário é preciso pagar uma taxa a mais por parar em lugar inapropriado.

Assim como da primeira vez, a cada dia surge uma nova companhia de aluguel de bicicletas e é impossível saber quem vai sobreviver e até quando vai durar. Fato é que aos poucos as empresas com maior poder aquisitivo já estão investindo em scooters para alugar. Hellobike, uma das poucas empresas que sobreviveram à primeira geração de bicicletas para alugar, anunciou recentemente que investirá pesado em scooters para alugar.

Finalmente, vale lembrar que cada um tem diferentes necessidades, prioridades e preferências na hora de escolher como deseja se locomover. Eu sempre amei bicicletas e é por isso que o foco é nelas. A criança que habita em mim comemora cada vez que eu alugo uma bicicleta elétrica, e a minha bicicleta continua em casa esperando o verão acabar para voltar a ser usada com mais frequência. 

Links interessantes:

http://jw.english.guiyang.gov.cn/news.html

https://www.numbeo.com/cost-of-living/in/Guizhou-China

https://en.wikipedia.org/wiki/Hellobike

One thought on “Vivendo em Guiyang – Transporte

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: