Parte 1 – Hong Kong em 36 horas

Eu comecei a escrever esse texto porque me incomoda o fato de estar na China e não poder explorar o país e levar o André para conhecer novos lugares por conta desse vírus. Há mais de dois anos nos limitamos a cidades próximas ou dentro da província, o medo de sair e acabar tendo que fazer quarentena é perturbador, fora os custos. Mal sabia eu que essa semana a Rússia decidia atacar a Ucrânia e o mundo se tornaria num lugar ainda mais perturbador.

Em memória aos bons momentos segue um pouco de Hong Kong. 

Eu fui à Hong Kong duas vezes, uma em 2013 a outra em 2018. Hong Kong foi a primeira cidade que eu visitei (eu não estou considerando Tianjin, porque eu morava lá), nas duas oportunidades em que eu fui, eu tinha pouco tempo e um orçamento muito limitado para explorar a cidade, mas não me faltava curiosidade em conhecer uma das cidades mais famosas do mundo.


2013

Antes mesmo de embarcar eu passei muito tempo pesquisando online os lugares que eu poderia visitar nas 36 horas que eu teria na cidade. Foi difícil escolher, ainda mais porque um dos lugares que eu queria ir, o Tian Tan Buddha, nenhum dos chineses que eu perguntei sabiam desse ponto turístico. Eles me falavam d culinária e dos cosméticos ou perfumes que eu poderia comprar mais baratos. Em Hong Kong importados e eletrônicos são 20% mais baratos por conta de taxas de importação.

Meu voo não era direto, eu iria até Shenzhen, teria que pegar o metro até a fronteira, atravessar a fronteira a pé e pegar o trem para o centro da cidade de Hong Kong. Parece simples, mas é um pouco desesperador quando você entende muito pouco da língua. Eu me lembro de ter perdido pelo menos 30 minutos na estação de metro. Eu não tinha certeza se estava na linha certa e depois para comprar o bilhete, ninguém ali falava inglês. 

Dentro do metro eu passei mais uma hora, um misto de cansaço e tensão crescia cada vez mais, afinal eu estaria deixando a China e para quem já passou na alfândega sabe que mesmo quando tudo está certo ainda bate um medo de ser barrado, sabe-se lá porque. Eu não vou entrar na questão geo-política, mas se você tiver curiosidade, saiba mais)

Ao descer na estação, ainda havia um longo caminho a percorrer, e eu só seguia a aglomeração na esperança de que tínhamos o mesmo destino, eu me lembro que era muita gente. O plano deu certo, pelo visto todo mundo queria ir para Hong Kong, fui comprar minha passagem de trem, mas eu havia cruzado a fronteira e, portanto, meu dinheiro não era válido em Hong Kong. Eu tive que voltar e trocar meu dinheiro, pelo menos o suficiente para chegar até o centro, eu não queria pegar o trem com muito dinheiro, afinal eu sou brasileira.

Mais um hora no trem e eu cheguei ao centro, eu havia feito a reserva em um hostel e eu não sabia o que esperar. Meia hora procurando o hostel e nada. Eu estava na rua certa, os números eram próximos, mas eu não conseguia encontrar o número que estava no endereço. Depois de subir e descer a rua algumas vezes eu me dei conta de que eu estava procurando um prédio que não tinha nenhum indicativo do hostel. Eu cheguei por volta da 23:00, era tarde e eu já não sabia se alguém estaria acordado para me atender. Para quem pretende ir a Hong Kong algum dia e não planeja ficar em nenhum hotel grande, prepara-se para se hospedar em um hotel que normalmente ocupa um ou alguns andares de um prédio e nos demais você vai encontrar todo tipo de comércio (spa, escolas de dança, outros hoteis, etc) e até mesmo outros hotéis. 

Eu estava hospedada em um apartamento, onde no quarto feminino em que eu fazia parte deveriam ter 4 pessoas, mas tinham 5. Depois de todo o estresse eu não conseguia dormir. Eu ainda saí para dar uma volta pela cidade. Ao contrário do Brazil, eu me sinto muito segura aqui, e nunca tive problemas ao andar a noite pelas cidades, o mesmo vale para Hong Kong. Lógico que eu redobro minha atenção em cidades maiores, mas ainda assim é muito mais seguro.

estátua, duas mãos, noite
Hong Kong – 2013

No dia seguinte eu acordei bem cedo e parti ao meu destino. Em Hong Kong tudo é muito caro, portanto metrô era a melhor opção. Eu queria visitar o Buddah que ninguém tinha ouvido falar na China, ele fica no topo de uma montanha e havia duas formas de chegar lá, de teleférico ou de ônibus. A fila do teleférico estava pequena como eu havia planejado, mas ele só começava a funcionar às 10:00 am e ainda era antes das 8:00 am. Eu vi o ônibus encostar e eu não estava disposta a esperar nem mais um minuto, entrei no ônibus que era muito mais barato do que o teleférico e me surpreendi ao perceber os olhares curiosos dos outros passageiros do ônibus, eu acreditava que as pessoas estariam mais acostumadas a estrangeiros por lá.

paisagem, Hong Kong
Vista do ônibus

Eu não me arrependo de ter pegado o ônibus, mas eu realmente estava feliz por não ter tomado café da manhã aquele dia, porque era muita curva e o motorista era daqueles que não tinha medo de morrer, porque ele corria demais.

cabine de teleférico, cores do Brasil
cabine do teleférico em exposição

O dia estava nublado quando eu sai do hostel, mas tornou-se em um agradável dia de sol. A vista do topo da montanha por si só já era de tirar o fôlego, mas ver a estrutura que criaram para o Buddha também era muito interessante, com direito a Starbucks e cabine de teleférico de diferente países, incluindo o Brasil.

Big Buddha
Buddha

O curioso de ir a certos lugares é que demora-se muito para chegar, quando se está lá é bonito, mas 10 fotos depois não tem muito o que fazer e é hora de voltar.
Voltei de teleférico, a vista é linda, uma pena que todas as fotos refletiam o vidro da cabine, mas na minha memória eu consigo lembrar com clareza a natureza, o dia que estava tão agradável, ainda mais para quem estava no frio do Norte da China, e da sensação de finalmente descansar um pouco.

teleférico
teleférico

Voltando para a cidade ainda cedo, eu tinha o dia inteiro para explorar a cidade. Havia um templo que eu queria visitar e eu acabei visitando sete e um orquidário :), eram de graça e cabiam no meu orçamento. O dinheiro que eu não gastei indo a outros lugares eu usei para almoçar muito bem em um restaurante próximo a um dos templos.

Templo
Templo
Templo
Templo
Templo
Templo
orquidário
orquidário

Em Hong Kong todas as noite tem um show de luzes, é muito popular e eu nunca tinha visto um. Eu não sabia exatamente onde devia estar, mas meia hora antes do show eu já estava próxima à orla. De repente começaram o fogos de artifício, talvez por ser próximo do final do ano, e logo em seguida o show de luzes. Era bonito de ver, mas nada muito impressionante. Ainda estava cedo, mas eu estava exausta, era hora de voltar para o hostel, quando eu estava quase chegando lembrei que havia esquecido de jantar. 🙂

No dia seguinte, me perdi um pouco para explorar a cidade, às vezes eu me perco de propósito, visitei a loja da Sony, mas sem sucesso, o Playstation 4 estava esgotado, comprei meu perfume favorito e uma bolsa. Depois, trem, alfândega, cruzar fronteira à pé, metrô e horas esperando pelo avião que atrasou.

Fronteira entre Shenzhen e Hong Kong

Eu não sabia, mas eu voltaria a Hong Kong cinco anos depois para passar três que se tornaram cinco dias na companhia do meu filho e viajar com pré-adolescente me fez refletir muito sobre como eu costumo viajar quando eu estou sozinha. 

Semana que vem eu posto a parte 2, Hong Kong em boa companhia.

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