“A bailarina de Auschwitz” de Edith Eva Eger (“The choice”)

Se um dia eu tivesse que recomendar um livro de auto-ajuda
eu não teria a menor dúvida de que seria a obra de Edith Eva Eger

Dizer que o livro é sobre a história de uma sobrevivente de um dos campos de concentração de Hitler, que viu a mãe ser mandada para a câmara de gás ainda na triagem e refez sua vida nos Estados Unidos é apenas explicar uma parte muito pequena de que essa obra traz para o leitor.

Eu confesso que ao compartilharem o livro comigo (versão digital) eu não dei muita importância, não desmerecendo a obra, mas minha amiga apenas disse: “Eu acho que você vai gostar”, se ela tivesse começado com: “Ele vai mudar a sua vida” talvez eu não tivesse demorando tanto para ler.

Acredito também que eu devo parar de dizer que não gosto de livro de auto-ajuda, tendo em vista que minhas sugestões neste blog foram do gênero. Confesso que ainda tenho ressalvas, antes de ler o livro eu tive tempo de ler o prefácio, este escrito por um dos colegas de profissão da escritora, que formou-se em psicologia. Desses cheios de elogio e depoimento de como a sua vida mudara depois de conhecê-la, de como todos deveriam ter a oportunidade de ouvi-la e assim por diante.

Prefácios desse tipo me fazem questionar a qualidade do livro, para mim soa como uma tentativa de fazer o autor ser maior do que a obra, como se eu tivesse que gostar do conteúdo do livro porque a pessoa que o escreveu era maravilhosa. O livro ficou quase que esquecido por algumas semana no meu celular depois de tal leitura.

Terminei o livro que estava lendo (Emma – Jane Austin) algum tempo depois e com muita dificuldade. Precisava de algo mais interessante e distante do século 18, decidi que talvez fosse o momento de dar uma segunda chance ao que pareciam escrituras sagradas (considerando o entusiasmo do prefaciador).

As 700 páginas que marcavam no meu e-reader foram se esvaindo tão rapidamente que eu encontrei-me em um daqueles dilemas que todo leitor gosta de se ver: “Não vê a hora de concluir a leitura da obra ao mesmo tempo que sabe o vazio que vai ficar ao terminar”. Eu ia deitar por volta das 10:00 da noite não conseguia desligar o leitor antes das 2:00 da manhã. A cada noite eu era inundada por novas emoções, mas principalmente revelava-se uma nova perspectiva para enfrentar os meus desafios.

O livro é dividido em quatro partes, ela conta seu passado com riqueza de detalhes, momentos crueis e felizes, identifica algumas situações por diferente ângulos, tem uma visão bastante realista do que ela (no presente) consegue entender e parece honesta quanto ao que ela não tinha certeza no passado.

Um dos pontos que mais me agrada em seu livro é o fato de ela não o dividi-lo em lições de vida, com palavras em negrito para que você não se perca e que precisam ser repetidas ao longo do livro beirando a exaustão. Às vezes, eu tenho a impressão que o autor está convencendo a si mesmo e não apenas ao leitor com tanta repetição. 

A minha percepção é que o livro é uma reflexão das lições aprendidas por ela mesma. Ao retratar uma situação pessoal tem a maturidade de identificar o que no momento lhe escapou por falta de conhecimento ou excesso de emoções. Ao referir-se a um paciente, além de descrever sobre a pessoa a sua frente ela também apresentava sua expectativa, sua abordagem e a lição que tirou para si mesma.

Cada caso é diferente, toda situação pode ser vista de infinitas maneiras e cabe a você entender o porquê você chegou a tal conclusão e, principalmente, o que pretende fazer no presente, sem culpar o passado ou esperar demais do futuro.

Eu terminei o livro muito mais rápido do que eu gostaria, quando encontrei minha amiga novamente eu não pude deixar de agradecer pela sugestão. Foi interessante perceber que gostamos de partes distintas.

Ainda mais interessante é que eu terminei de ler o livro no final de outubro de 2022, quando eu havia chegado na metade do livro eu já tinha decidido que escreveria uma crítica do mesmo. Sentei infinitas vezes na frente do computador tentando encontrar a melhor maneira de fazer juz ao que o livro me proporcionou, escrevi pelo menos três críticas diferentes e não me agradou nenhuma. 

Há tanto que eu quero compartilhar sobre o livro, mas ao mesmo tempo eu quero respeitar a observação individual de cada leitor. Há tantas ideias que eu gostaria de explorar, tantas abstrações, mas então eu estaria seguindo a lógica dos livros de auto-ajuda que tanto antipatizo. Essa crítica acabaria se transformando em tópicos com títulos em negrito das lições que eu aprendi com a obra. 

Enfim, “A bailarina de Auschwitz” é para qualquer um que gosta de psicologia, para quem tem receio de procurar um psicólogo, para quem tem buscado entender mais sobre momentos do passado e como encarar o futuro de uma forma mais realista, sem ser tão pessimista. Um livro que não deixa nada a desejar em relação ao seu prefácio e que poderia ser livro obrigatório para qualquer pessoa que deseja ter uma vida saudável.

Published by Tassia Kespers

Escritora, professora, tradutora, revisora, mãe e exploradora nas horas vagas.

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