Ramsés – O filho da luz

Eu estava no Ensino Médio e a biblioteca municipal ficava no caminho entre a minha casa e a escola. Todos os trabalhos em grupos eram feitas na biblioteca municipal, a gente ficava na parte dos gibis no andar de baixo até todo mundo chegar para ir na biblioteca. 

Eu tinha um bom entendimento do sistema da biblioteca, como funcionam as fichas, como achar os livros que a gente precisava e eu nunca achei que era um talento especial até chegar na faculdade e perceber que nem todo mundo via a biblioteca como um ambiente divertido para frequentar (Sim, eu não tinha Google em casa).

Na entrada da biblioteca, havia uma estante com as recomendações. Hoje eu tenho uma lista extensa de livros que eu quero ler, mas naquela época eu mal sabia por onde começar e eu sempre começava pelas recomendações. Em uma tarde como outra qualquer lá estava, o livro que seria a razão da minha obsessão pelos próximos seis meses.

Ramsés – O filho da luz de Christian Jacq é um desses livros que você já sabe o tema central pela capa e título. Impossível se enganar com os hieróglifos. O livro não era lançamento, mas eu nunca havia visto um livro semelhante a aquele. Quando adolescente eu não me interessava apenas pelas histórias, mas eu era facilmente convencida a ler um livro pela capa (Julguem).

Quando você “alugava” um livro na biblioteca, você tinha uma semana para devolver e podia renovar por mais uma semana se você fosse a biblioteca renovar o livro ou multa de R$ 1,00 por dia de atraso. Confesso que na época eu não estava acostumada com livros densos e aquele parecia particularmente desafiador. Mas a capa e o resumo na contracapa…

Eu precisei de duas semanas para ler o livro que narra a história de um príncipe, ainda crianças até se tornar adolescente, que era o segundo na linha do trono, mas que foi escolhido pelo seu pai como o seu sucessor. 

Cada capítulo era como um novo mundo sendo revelando diante de mim. As tradições, os costumes, o dia a dia em um tempo em que muito pouco se sabia sobre o mundo, mas alguns comportamentos já faziam parte da sociedade. O obra que usa personagens reais para criar uma história ficticia me encantou de formas que eu jamais serei capaz de expressar.

Sim, eu tinha consciência de que o autor estava fazendo uma livre interpretação de muitos fatos, baseado em suas pesquisas e imaginação, mas o fato de conseguir me transportar por um tempo e cultura completamente diferentes me fascinava tanto quanto a história criada pelo autor.

São cinco livros que narram a história de Ramsés, evidentemente finalmente eu tinha um livro em mente quando voltei a biblioteca com o primeiro livro lido. O quarto livro foi o mais difícil para conseguir porque ele nunca estava disponível na biblioteca (tempos difíceis esses). Eu chegava na biblioteca e as funcionárias já me conheciam e sabiam da minha busca. 

Desde Ramsés todos os livros que envolvam partes da história entrelaçadas com fantasia me interessam, interessam demais. Não é a toa que li todos do Dan Brown, os livros que revelam detalhes da Segunda Guerra Mundial também me fascinam, mas nenhum foi capaz de provocar as mesmas sensações que os livros de Christian Jacq.

Published by Tassia Kespers

Escritora, professora, tradutora, revisora, mãe e exploradora nas horas vagas.

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