Uma crítica negativa

Eu escrevi a crítica literária do último livro que eu li e era uma crítica negativa. Eu vejo tanto ódio na internet e as pessoas parecem ter tanta facilidade em listar as fraquezas alheias que eu achei que não teria dificuldades em compor a crítica, mas tive e gostei do resultado.

Talvez, no meu inconsciente, eu tenha um bloqueio em criticar alguém porque eu temo um dia estar na posição contrária, e se um dia meu tão sonhado livro for publicado e eu for o alvo das críticas ácidas de outras pessoas. Ao mesmo tempo, quem se preocupa com as críticas negativas encontra todas as barreiras e desculpas que precisa para não crescer, para não tentar.

Ontem eu não postei a crítica de um livro porque eu temi não ser justa ao livro, talvez para escrever uma crítica literária é preciso reler a história mais de uma vez. Para mim, o livro que eu li tem um excelente enredo, mas se perde nas amarrações, deixa fios soltos.

A escolha do personagem principal ter o mesmo nome que o autor causa uma confusão desnecessária no leitor. Eu entendo e gosto da ideia de mock memoir (falsas memorias), mas uma história bem contada não precisa causar a confusão narrador-autor. 

Há muitos detalhes no livro que me agradam, o cuidado com a playlist ao longo de toda a história, as músicas que tocavam nos ambientes, nas rádios, as fitas produzidas pelos adolescentes, a conexão das músicas com o sentimento dos personagens.

O descrição de um estilo de vida elitista, adolescentes do anos 80 em Los Angeles que não tinham qualquer preocupação na vida a não ser se divertir. Interessante ter uma pequena amostra dos conflitos e problemas que os personagens enfrentaram.

O livro é um misto de suspense e terror, que são estilos que eu sempre admirei e talvez por isso não o final surpreenda, porque voltamos ao conceito do narrador em primeira pessoa que relata a história por uma perspectiva imparcial e, portanto, não confiável.

Eu detesto ler livros que não gosto, principalmente porque eu amo terminar os livros que eu começo. Logo se eu passei da página 50 eu tenho que ler até o fim, por mais que eu sofra. Além do mais, eu pretendo um dia escrever o meu livro e se eu não entender o que eu não gosto no livro alheio eu corro o risco de cometer os mesmo equívocos.

Eu não vou expor o livro que eu li, eu aprendi que elogiar em público e criticar em particular. Os livros que eu gosto eu espalharei aos quatro cantos do mundo, mas o que eu não recomendaria eu prefiro deixar que cada um tire a sua própria conclusão e quem sabe um dia a gente não possa sentar, tomar um café e debater as nossas impressões sobre o livro.

Published by Tassia Kespers

Escritora, professora, tradutora, revisora, mãe e exploradora nas horas vagas.

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